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Previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial: como proteger sua família e reduzir impostos

  • Foto do escritor: Ricardo De Carli
    Ricardo De Carli
  • 29 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

A previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial garante liquidez, proteção dos beneficiários e benefícios tributários.


Previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial


A falta de liquidez no inventário pode comprometer a subsistência de dependentes, a continuidade dos estudos dos herdeiros e até a preservação dos bens do espólio durante o processo sucessório. Para evitar esses problemas, muitas famílias recorrem a instrumentos como o seguro de vida e, cada vez mais, à previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial, que alia proteção, liquidez e vantagens tributárias.


Essa solução, quando bem estruturada, pode ser tão relevante quanto a holding familiar, o testamento e a doação em vida de imóvel, compondo uma estratégia mais ampla de preservação patrimonial.


O que é previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial

A previdência privada é um plano de acumulação de recursos, com o objetivo de formar uma reserva financeira que pode se transformar em renda futura ou ser direcionada aos beneficiários em caso de falecimento do titular.


Existem duas modalidades principais:


  • Previdência fechada: também chamda de fundos de pensão, são voltadas a empregados, dirigentes ou associados de uma empresa ou entidade especifíca.


  • Previdência aberta: oferecida por seguradoras e instituições financeiras, podendo ser contratada por qualquer pessoa, de forma individual ou coletiva.


No contexto do planejamento sucessório, os planos abertos (PGBL e VGBL) são os mais utilizados, pois permitem maior flexibilidade e liberdade na designação de beneficiários e estipulação dos aportes.


Diferença entre previdência privada e seguro de vida

Embora ambos possam ser complementares, suas funções são distintas:


  • Seguro de vida: garante indenização imediata aos beneficiários, mas não acumula patrimônio a fim de constituir uma renda futura (pensão). Ideal para imprevistos e para obter capital emergencial, como mencionado em: Seguro de Vida no Planejamento Patrimonial e Sucessório: Proteção Imediata e Estratégica


  • Previdência privada: visa à acumulação de reserva para gerar renda futura, que pode ser paga por meio de pensao mensal ou levantamento total da quantia acumulada, mas também garante pagamento de valores aos beneficiários em caso de falecimento do titular. Ideal para planejamento futuro.


No planejamento patrimonial para grandes fortunas, é comum utilizar os dois instrumentos em conjunto, criando liquidez imediata via seguro e preservação de longo prazo via previdência.


Vantagens da previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial

  1. Liquidez para os beneficiários

Os valores de previdência não integram a herança, dispensando inventário imediato. Isso evita o bloqueio de bens do espólio e garante suporte financeiro rápido aos sucessores.


  1. Flexibilidade na escolha de beneficiários

Assim como no seguro de vida, a nomeação dos beneficiários é livre. Pode-se indicar pessoas específicas, herdeiros genéricos (“meus filhos”) ou até dividir percentuais.


Essa flexibilidade se mostra especialmente útil em famílias que optam por estratégias diferenciadas, como a alteração de regime de bens para planejamento ou o contrato de namoro para planejamento.


  1. Benefícios tributários

O PGBL permite deduzir até 12% da renda tributável na declaração de IR completa, enquanto que o VGBL é mais utilizado no planejamento sucessório, já que o IR incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total acumulado.


  1. Rapidez no recebimento

Em regra, os valores são pagos em até 30 dias, sem necessidade de esperar a conclusão do inventário. Isso garante que despesas urgentes, como saúde, educação e tributos, possam ser custeadas imediatamente.


Riscos e limitações da previdência privada no planejamento sucessório

Apesar das vantagens, há pontos de atenção:


  • Pode ser usada de forma fraudulenta para burlar a legítima, quando todos os bens são alocados em previdência visando excluir herdeiros necessários.


  • Em algumas situações, há necessidade de colação no inventário (ex.: VGBL em valores expressivos).


  • Planos PGBL com renda vitalícia podem cessar os benefícios após a morte, salvo previsão de reversibilidade ou prazo mínimo garantido.


Assim como na herança digital no planejamento, é preciso ter cuidado para que o uso da previdência privada não gere litígios ou questionamentos judiciais.


PGBL e VGBL: qual escolher para o planejamento sucessório e patrimonial

O PGBL é indicado para quem realiza a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite maior dedução tributária, possibilitando ao titular abater até 12% da renda bruta anual tributável.


Já o VGBL costuma ser o preferido no contexto do planejamento sucessório, pois apresenta maior simplicidade, menor incidência de tributos, já que o imposto recai apenas sobre os rendimentos, e oferece ampla liberdade na indicação de beneficiários, sem a necessidade de seguir a ordem hereditária.


A escolha deve considerar não apenas os aspectos fiscais, mas também os objetivos da família e a integração com outras ferramentas jurídicas, como o testamento.


Quando incluir a previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial

A previdência privada deve ser incluída no planejamento sucessório e patrimonial especialmente em situações em que a família possui um patrimônio expressivo, mas com pouca liquidez, o que pode dificultar a manutenção dos bens durante o inventário.


Também se mostra fundamental quando existem dependentes que necessitam de suporte imediato em caso de falecimento do provedor, garantindo recursos rápidos para a subsistência e continuidade dos estudos.


Além disso, pode atuar como instrumento complementar em planejamentos que já utilizam mecanismos como a holding familiar, a doação em vida de imóvel e o testamento, reforçando a proteção patrimonial e a segurança dos herdeiros.


Conclusão

A previdência privada no planejamento sucessório e patrimonial é uma ferramenta versátil, que combina liquidez, proteção e eficiência tributária. Contudo, sua utilização deve ser sempre analisada com cautela, considerando os riscos de judicialização e a necessidade de alinhamento com outros instrumentos jurídicos.


Ricardo De Carli Advogado Planejamento Patrimonial e Sucessório
Dr. Ricardo De Carli


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