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O CONTRATO MAL REDIGIDO QUE COLOCOU MONARK E IGOR 3K EM GUERRA

  • Foto do escritor: Ricardo De Carli
    Ricardo De Carli
  • 22 de jul.
  • 3 min de leitura
Monark e Igor 3k contrato mal redigido

Escrevi há algum tempo sobre pequenos erros jurídicos do dia a dia que custam caro. O tema também fez parte do texto "Pequenos Erros, Grandes Prejuízos", que escrevi para o canal Younik, do meu amigo Fernando Vitolo, publicado semanas antes. Um deles era exatamente a confusão entre patrimônio pessoal e empresarial. Não precisei esperar muito para ter um exemplo real, público e milionário para ilustrar o ponto.

 

O caso Monark e Igor 3K chegou para isso.

 

O que está em disputa

 

A briga entre os fundadores do Flow Podcast voltou a público em junho deste ano, quatro anos após a saída de Monark do projeto. Em síntese, Monark afirma que o contrato firmado na época de sua saída não está sendo cumprido nos termos acordados, que o pagamento de R$ 50 mil mensais, referentes à venda de sua participação por R$ 10 milhões, não estaria ocorrendo regularmente. Igor 3K negou as acusações em vídeo, afirmando que os depósitos têm sido feitos e que as informações divulgadas estariam distorcidas.

 

Até aí, uma disputa contratual entre ex-sócios. Desgastante, mas relativamente comum no universo empresarial.

 

O que transforma esse caso num estudo jurídico é o argumento que Monark trouxe em seguida.

 

O problema da marca e o contrato que não foi suficiente

 

Ao publicar no X.com, trechos do contrato de transferência de sua participação no Flow, Monark apontou o que considera o erro central do documento. O contrato tem duas cláusulas distintas com objetos distintos. A cláusula 1.1 trata da transferência de 696.500 cotas da IB Holding de Monark para Igor, uma operação entre pessoas físicas, com a holding figurando apenas como interveniente anuente. A cláusula 1.2, por sua vez, amplia o escopo do negócio para incluir também as marcas e patentes.

 

E é exatamente aqui que está o problema.

 

A marca Flow estava registrada no INPI em nome de Monark como pessoa física. Para que ela fosse efetivamente transferida a Igor, também como pessoa física, seria necessário um instrumento formal e específico de cessão de marca, com posterior averbação no INPI. Uma cláusula genérica num contrato de transferência de cotas não é suficiente para produzir esse efeito jurídico. Nas palavras do próprio Monark, publicadas no X:

"A incompetência deles ignorou o fato de que a marca estava registrada no meu nome, na minha pessoa física."

 

Se a averbação no INPI nunca foi feita após a assinatura do contrato, a marca permanece formalmente registrada no nome de Monark, independentemente do que a cláusula 1.2 diz. O contrato expressa a vontade das partes, mas é insuficiente como instrumento de transferência efetiva da marca.

 

Por que isso é mais comum do que parece

 

Escrevi no texto "Pequenos Erros, Grandes Prejuízos", que um dos erros mais frequentes entre empresários é não dar a devida atenção aos detalhes dos contratos que assinam. O caso do Flow é uma ilustração precisa disso, com um plus, não é qualquer contrato, é um documento que movimenta R$ 10 milhões e envolve um dos maiores podcasts do Brasil.

 

Contratos que transferem ativos intangíveis, como marcas, precisam observar os requisitos legais específicos de cada ativo. Não basta mencionar "marcas e patentes" numa cláusula para que a transferência ocorra. É preciso verificar onde cada ativo está registrado, em nome de quem, e qual o instrumento correto para transferi-lo validamente.

 

O contrato mal redigido cobra seu preço depois

 

O que chama atenção nesse caso é que o erro, se confirmado, não foi cometido por pessoas sem recursos ou sem acesso a advogados. O Flow Podcast era, à época da negociação, um dos maiores podcasts do Brasil, com patrocínios relevantes e estrutura profissional. E ainda assim, aparentemente, ninguém verificou os requisitos formais para a transferência da marca antes de incluí-la no contrato.

 

Isso ilustra um ponto que repito com frequência. Contratos mal elaborados não são exclusividade de pequenas empresas ou de quem não tem acesso a assessoria jurídica adequada. Eles acontecem quando a revisão técnica é tratada como formalidade e não como parte essencial do negócio.

 

Um contrato bem feito não é aquele que parece completo. É aquele que foi verificado nos detalhes que ninguém lembra de checar, como os requisitos legais específicos para transferir cada tipo de ativo que está sendo negociado.

 

A disputa entre Monark e Igor 3K ainda não tem desfecho. Mas o erro que ela expõe já tem lição. Se esse caso te fez pensar nos contratos que você já assinou ou nos ativos que sua empresa tem registrados, vale a pena ler o texto que publiquei aqui na Younik sobre os erros jurídicos mais comuns no dia a dia e o que eles custam. Você pode acessar em Pequenos Erros, Grandes Prejuízos .



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